Que tipo de planeta nossos filhos terão?



Segundo estudos realizados sobre a quantidade de lixo produzida no mundo pela Organização das Nações Unidas, EPA e Greenpeace, com a ajuda do Departamento de Física da Universade de Stanford na Califórnia, o Brasil é o quinto maior produtor de lixo e um dos mais poluídos do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China, União Européia e Japão. 1

Cerca de 20 mil toneladas de lixo são jogadas nos lixões e aterros sanitários das cidades todos os dias, fazendo o Brasil um dos campeões em desperdício. Segundo o Waste Atlas, a taxa de reciclagem de produtos no país chega a apenas 1%, e engloba a reciclagem de papel, alumínio e aço principalmente nas grandes cidades, próximas às capitais de cada estado.

Empresas privadas em conjunto com os governos estaduais e federal, estão optimizando todo o processo do controle da produção de lixo e reciclagem com o passar dos anos. Em 2012 por exemplo, o CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem) anunciou que quase 4 milhões de toneladas de papel foram reciclados no país. Isso totaliza 45% de toda a produção de produtos de papel em um ano no país. Em 2013, cerca de 9.4 milhões de latas de alumínio foram recicladas, totalizando 96% das latas de alumínio produzidas no país naquele ano. 2

Ações deste tipo são sempre bem-vindas e válidas, mas como eu e você podemos estar colaborando para a poluição ambiental sem saber? Alguns exemplos de poluição que degradam o meio ambiente:

  • Poluição do solo: Sempre que resíduos ou substâncias degradantes são jogadas em lixos e agrotóxicos.

  • Poluição da água: Cada vez que substâncias tóxicas entram nos corpos hídricos, seja de indústrias que despejam seu lixo nos córregos, lagos e rios, ou mesmo da população e seus dejetos que são carregados pela chuva aos mares e oceanos.

  • Poluição atmosférica: Emissores de gases nocivos como dióxido de carbono, óxidos de enxofre pelas indústrias e tráfego de veículos poluem o ar.

Além da alta produção de lixo, o Brasil possui inúmeros problemas ambientais. Alguns exemplos são o deflorestamento da Amazônia e de outras regiões, devido à alta demanda de madeira e soja conforme o crescimento urbano, que desequilibra a biodiversidade ecológica causando inúmeros outros problemas ambientais.

Desde 1970, a destruição da Amazônia aumentou em 127% diminuindo monstruosamente seu tamanho original devido ao deflorestamento. A poluição do ar e da água nos grandes centros urbanos é alarmante, com 40% dos veículos rodando à base de etanol que coloca o Brasil em destaque, mais que em outros países, pela alta produção de gases tóxicos derivados do etanol. Somente os estados do Rio de Janeiro e São Paulo estão entre os 20 colocados mais poluídos do mundo. Grandes centros industriais também colaboram para o desastre ecológico que torna rios e lagos estéreis e aumenta as doenças de pessoas que vivem nas áreas ao redor.

Isso sem contar a poluição sonora que, nas grandes cidades, ultrapassa os níveis toleráveis da OMS de 65 decibéis; e a poluição visual em alta crescente que está direta e indiretamente ligada a vários problemas mentais, físicos e psicológicos.

Habitat de 6% de espécies animais ameaçadas, o Brasil possui 769 espécies na lista de extinção, sendo 97 em risco crítico, segundo a lista vermelha de espécies em perigo emitida pela IUCN (União Internacional de Conservação Natural).

As principais consequências da poluição do solo, água e atmosfera na saúde dos cidadãos, principalmente crianças e idosos, algumas irreversíveis no meio ambiente e na saúde dos animais e plantas, são:

  • estresse;

  • ansiedade;

  • problemas no sono;

  • irritação das mucosas do nariz e dos olhos;

  • problemas respiratórios;

  • irritação da garganta;

  • problemas pulmonares e cardiovasculares;

  • desenvolvimento de cardiopatias;

  • diminuição da qualidade de vida;

  • diminuição da expectativa de vida;

  • aumento de chances de desenvolver câncer;

  • alteração dos hormônios;

  • enfraquecimento do sistema imunológico;

  • inalação de materiais pesados que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças do coração, Parkinson, Alzheimer e depressão.

Diante de todos esses fatores, existem algumas coisas que todos nós podemos fazer, e também podemos ensinar às gerações descendentes, para nos conscientizarmos, não só para melhorarmos a posição do Brasil destas estatísticas, mas para colaborarmos com as iniciativas públicas e privadas e nossa qualidade de vida, como por exemplo:

1. Aprender a reciclar e a separar o lixo. Materais recicláveis incluem:

  • Papel, na forma de embalagens, cadernos, livros, jornais, caixas, revistas etc.

  • Óleo de cozinha.

  • Baterias e pilhas, incluindo baterias de telefones e outros aparelhos.

  • Alumínio em latas de refrigerante.

  • Aço presente ainda em latas de comidas industrializadas, carros, eletrônicos, etc.

  • Cartuchos de tinta de impressora.

  • Pneus.

  • Vidros.

  • Plástico.

  • Móveis e eletrodomésticos: fogões, geladeiras, computadores, etc.

2. Ensinar toda a família a economizar energia. Adote estas ideias:

  • Apagar as luzes quando sair ou deixar o recinto.

  • Substituir as lâmpadas incandescentes por fluorescentes ou LED. Elas custam um pouco mais, mas duram 8 vezes mais e poupam até 80% de energia.

  • Racionalizar o uso de eletrodomésticos e eletrônicos, como o aspirador de pó, máquina de lavar louça, roupas, secadora, forno elétrico.

  • Quando não estiver utilizando um aparelho, desligue-o da tomada, pois continuam usando energia enquanto plugados. Isso inclui os carregadores para celular.

  • Substitua aparelhos obsoletos por modelos com indicação de conservação de energia, principalmente geladeiras, secadores, fornos, ar condicionado, etc.

  • Não lote a geladeira nem o freezer, que dificulta a passagem do ar e consome mais energia. Da mesma forma, não os deixe vazios, assim quando abrir a porta, menos ar quente entrará, obrigando o motor a iniciar a cada vez.

  • Use mais as escadas e menos os elevadores, isso inclusive contribui para seus exercícios diário.

  • Procure usar pilhas recarregáveis, que evitam o desperdício que polui o ambiente.

  • Utilize panelas e frigideiras de tamanho adequado e tampe-os para economia de calor.

  • Descongele alimentos na geladeira de um dia para o outro antes de cozinhar.

  • Use menos água quente, mesmo que tenha aquecimento à gás em sua casa.

  • Minimize o uso de luzes externas em sua casa, adquirindo dispositivo automático de movimento para luzes de segurança e luzes para o jardim acionadas à energia solar. Também é bom lembrar de desligar as luzes de Natal antes de ir dormir.

  • Procure trocar janelas quando puder para aquelas que possuem melhor vedação. Normalmente, até 50% do calor é perdido pelas frestas, e cubra o vão no rodapé das portas.

  • Reposicione seus móveis de forma que possa usar mais a luz natural para iluminar ambientes para o dia a dia e no trabalho.

  • Para fazer um chá, ferva somente a quantidade necessária. Já, ao cozinhar, cozinhe um pouco mais de algum prato que precisará no dia seguinte. Isso economizará tempo e energia.

  • As cores da casa também influem na conservação de energia. Paredes pintadas de cores claras, principalmente os tetos, que refletirão e espalharão melhor a luz.

  • Instalar painéis solares para a rentabilização de energia.

3. Adotar hábitos diários que contribuam para a preservação do meio ambiente, como por exemplo:

  • Dispor propriamente do óleo de cozinha. Após a reutilização do óleo para fritura, colocá-lo em vídro e levar a centros de recolhimento como supermercados por exemplo, ao invés de jogar no ralo da pia.

  • Prefira alimentos orgânicos. São livres de agrotóxicos, principalmente os da estação.

  • Economizar água. Fechar bem a torneira enquanto escova os dentes, não tomar banhos demorados. Reutilizar a água da máquina de lavar, e mesmo do chuveiro enquanto espera esquentar é uma boa dica. Colabore também ao ser breve ao lavar quintais e carros e não fazê-los sem necessidade.

  • Use filtros para água potável. E evite o uso de garrafinhas de plástico.

  • Mantenha a casa limpa com produtos biodegradáveis. Esses não poluem as águas e solo e colaboram para o manejo ideal das águas pluviais, coleta e tratamento de esgoto, limpeza urbana e diminuição de resíduos e substâncias tóxicas nos lagos e rios.

  • Catar o lixo acumulado. Para que não entupam calhas nem bueiros.

  • Prefira embalagens econômicas a tudo que comprar. Produzem menos lixo.

  • Jogar o lixo no lixo. Não jogar na rua pois o acúmulo entope os bueiros e prejudica o escoamento da água das chuvas causando inundações.

  • Aprender a poupar combustível. Dirigir em velocidade constante, colocar gasolina no carro de manhã quando o tanque está frio e o combustível tem mais densidade, não pisar no acelerador ao arrancar, não carregar demais o carro, pegar carona com um colega de trabalho que mora perto.

  • Usar produtos com selos de conservação de energia. Como o FSC (Conselho Brasileiro do Manejo Florestal) para produtos de madeira.

  • Substituir as sacolas plásticas do supermercado por sacolas de fibra vegetal. São mais resistentes e duram muito mais tempo.

  • Plantar árvores. Isso ajuda a dispersar as concentrações de CO2 da atmosfera. Algumas cidades dão subsídios para que a pessoa possa plantar árvores no quintal e também desenvolver hortas comunitárias.

Estas são algumas das ações que podemos adotar em nosso dia a dia e ensinar nossos filhos desde cedo a respeitar o meio ambiente. Informe-se também em sua comunidade para mais projetos comunitários, palestras educacionais e eventos ecológicos em parques e organizações. Eduque sua família, vizinhos e amigos.

O mais importante é criar uma consciência ecológica que inclua o respeito à Natureza. Isso também permite que as crianças compreendam que as consequências de seus atos trarão prejuízo ou recompensa para as gerações futuras.

Os hebreus quando libertados depois de 430 anos de escravidão no Egito, seguiram Moisés rumo ao deserto até um determinado momento que comida e provisões eram esparsas. O Senhor, em sua infinita sabedoria, chamou Moisés e disse, em Êxodo 16:4-5: “Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. E acontecerá, no sexto dia, que prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia.”

É necessário que possamos usar sabedoria com os recursos que a Natureza nos dá. O Senhor também salientou que é necessário um período de descanso, assim como a Natureza precisa se recompor de tamanho abuso. Em palavras similares, Mahatma Gandhi explicou a bênção do maná que o Senhor deu aos hebreus. Ele disse: “Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.”

Mais importante do que a necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos é deixarmos filhos melhores que respeitem a Natureza, usem-na com equilíbrio e responsabilidade. Todos respiramos o mesmo ar, mas somos mortais e são eles que estarão aqui no futuro. Mas, tudo isso é aprendido, principalmente, através de nosso exemplo. Se queremos um planeta melhor para nossos filhos, precisamos fazer hoje o que queremos que eles façam amanhã.

  1. Stanford University, by Nobel Prize Prof. Robert B. Laughlin, Forbes – 24 May 2006 – World’s Worst Waste.

  2. CEMPRE - http://www.cempre.org.br/


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