A melhor forma de criar um filho homem... sozinha

Updated: Mar 26, 2019



Recentemente escrevi um artigo para o site Familia.com.br que você pode ler na íntegra neste link:

A melhor forma de criar um filho homem... Sozinha Este artigo faz parte da série de artigos que tenho escrito sobre mães sozinhas criando filhos homens. Tenho recebido várias mensagens de dezenas de mulheres no Brasil e ao redor do mundo sobre este tema. Você pode ler mais também em: 8 qualidades a despertar em um filho homem para um mundo mais justo com as mulheres ou 9 coisas que os meninos mais precisam que as mães lhes ensinem E também para as mães de adolescentes: Lidando com os amigos de seu filho que você não aprova Liberdade supervisionada: Entenda a necessidade de fazer isso com seus adolescentes 11 sugestões para lidar com filhos perfeccionistas e o estresse que isso causa Descobrir talentos brincando: 10 qualidades a desenvolver nas crianças desde cedo 5 passos para ajudar os filhos a desenvolverem talentos 10 segredos para ensinar seus filhos adolescentes a cozinhar Passos essenciais para ajudarem os filhos a desenvolverem espiritualidade

Por que tenho escrito tanto sobre este tema?

Por mais que tenhamos experiência profissional em algumas áreas, sempre colocamos um pouco de nosso conhecimento pessoal quando escrevemos. Na verdade, isso nos dá autoridade para escrever sobre um tema do qual vivenciamos.

Escrevi estes artigos e este texto agora principalmente para ajudar as muitas mães que me escrevem. A maioria delas amava o marido e foi abandonada, devido à traição ou simplesmente porque ele não assumiu a criança e sumiu. Há mais casos disso do que podemos imaginar.

Aconteceu comigo também. Estou abrindo os detalhes como faço nas fases de mudança que preciso em minha vida.

Foi um dos momentos mais difíceis que vivi. Afinal, como é que isso aconteceu comigo? Como é que eu, uma mulher educada e com formação acadêmica deixei que violência doméstica e abandono na gravidez acontecesse comigo? Ainda mais comigo que trabalho nessa área e vi tantas vezes isso acontecer! Como é que pode isso?

Pois é. Acontece com todas as mulheres, de todos os níveis educacionais, econômicos e qualquer outro, e pude comprovar, não só no Brasil, mas ao redor do mundo.

Não é fácil. Estou cansada de ler nos comentários de alguns desses artigos, comentários feitos por mulheres principalmente, que "a obrigação de educar os filhos não é só da mãe..." e iada iada iada. TODO mundo sabe disso, acreditem! Eu também!

Eu tive meu pai e minha mãe, meus avós, cresci numa família maravilhosa, com excelentes exemplos, e outros não tão bons assim. Em tenra idade decidi que não seguiria os exemplos ruins de meus pais, porque aprendi que eles eram pessoas falhas como eu. Felizmente me ensinaram bem cedo a não julgar, seja lá quem for.

Mas, mesmo assim, isso aconteceu comigo. Eu sabia de tudo o que deveria prestar atenção, tomar cuidado, sinais e tudo mais. Ensinava mulheres a respeito de tudo isso. O estigma da mulher executiva, profissional, bem-sucedida profissionalmente mas com uma sorte inexistente no amor me nocauteou severamente.

Por essas e outras, a aqueles que acham que minha vida é perfeita, abro alguns detalhes:

Criei meu filho sozinha do zero aos 11 anos de idade, sem qualquer ajuda financeira nem psicológica. A lei brasileira na época dizia que pagamento de pensão seria para ambos, e eu tinha um emprego muito melhor que o pai dele e jamais aceitaria ter que pagar a pensão para um homem que me pediu para abortar. Preferi criar sozinha.

Tive o apoio de minha mãe e irmãs que me ajudaram a cuidar dele até os 3 anos de idade, enquanto eu trabalhava em 2 ou 3 empregos ao mesmo tempo para sustentar a todos sozinha. Passei noites em claro, vendi água e lanche natural na faculdade para pagar o boleto do que a bolsa não cobria. Não foi fácil. Eu me lembro até hoje de uma manhã de Natal onde acordei, limpei a casa e fiz um sanduíche de pão de forma com folhas de alface, porque não tinha mais nada o que comer, e uma amiga apareceu na hora do almoço com panelas cheias das sobras da ceia de Natal com sua família na noite anterior.

Interessante lembrar que aos 12, e depois aos 15 e também aos 19 anos de idade, os médicos me asseguraram que eu não poderia ter filhos devido a alguns problemas sérios de saúde, genéticos e herdados, que desenvolvi ao longo dos anos.

Quando estava grávida de 3 meses, o homem que eu amava, simplesmente virou as costas e foi morar com outra mulher. E ainda disse em alto e bom tom: 'Se você estiver grávida, arranje um jeito de abortar".

Eu sabia que não podia ter filhos, mas quis arriscar mesmo que isso tirasse a minha vida. Sozinha, morando longe da família por motivo de trabalho, eu quis ter, e não contei a ninguém, porque precisava de paz para me recompor. Aos 4 meses e meio de gestação, meu pai faleceu abruptamente devido a um infarte fulminante, e eu nem tive a oportunidade de lhe contar que estava grávida, pois estava escondendo de todos até ali, pois sabia que teria pouco apoio. Quase perdi meu filho, sangrei até o último dia dos 9 meses, e os médicos me disseram que ele nasceria com algumas sequelas.

Pois bem, ele nasceu. Perfeito. Eu quase morri, e nunca mais pude ter filhos, tendo algumas cirurgias graves ao longos dos anos, mas sobrevivi a todas elas. Ele é um milagre. Ele é meu milagre. O milagre do amor de um Pai perfeito para minha vida. E eu, o instrumento desse amor.

Nesse meio tempo tive um relacionamento de 3 anos e cheguei a ficar noiva de um homem maravilhoso que amei mais do que ninguém, mas não funcionou no final. Ele repetia muitos dos sinais que eu já conhecia, inclusive cometeu muitos dos erros que eu já tinha sido vítima antes, e eu não quis arriscar, e joguei tudo para o alto. Com o tempo, notei que se não aprendesse a perdoar, jamais evoluiria realmente. Escrevi este artigo a respeito:

Como perdoar quem nos ofende

Quando meu filho tinha 7 anos de idade, o trabalho me abriu uma grande oportunidade de mudar de país. E depois de alguns anos, conheci meu marido atual. Nosso relacionamento foi bastante pedregoso no início, devido ao que escrevi no penúltimo parágrafo deste texto:

Diga NÃO à violência doméstica

Após tantos anos, achando que eu estava bem comigo mesma, eu havia me tornado uma pessoa amargurada e defensiva, achando que qualquer particularidade na personalidade de outro homem iria desmantelar novamente a minha vida e interferir na educação do meu filho.

Violência doméstica traz um pouco do inferno na vida de uma mulher. Quando pensamos que vencemos os traumas, somos lembradas que nossa alma foi ferida de tal forma difícil de vencer, somente com muito trabalho.

Não foi fácil. Nem para meu marido, nem para mim, nem para meu filho. Além de tudo isso, as diferenças culturais pesaram, até que conseguimos chegar num consenso, aplicando essas soluções:

Casamento com estrangeiro: 8 soluções para ser feliz

Mas, não deixa de ser complicado às vezes. Meu marido nunca teve filhos e não sabia como ser pai e muitas vezes eu precisei ser pai e mãe ainda. Não há como apertar um botão e transformar um padrasto em um pai perfeito da noite para o dia, assim como não há um meio cabível de fazer uma criança, ou adolescente o que é pior, aceitar um homem em sua vida, ainda mais depois de tomar parte do tempo de sua mãe, que até então era só sua.

Depois de alguns anos, entrei em contato com a família do pai de meu filho, porque meu filho estava demonstrando interesse em saber mais sobre o pai. Um de seus irmãos, como sempre, me recebeu muito bem, e fez questão de fazer meu filho entender que era querido, através dos anos, apesar de o pai nunca ter demonstrado algo a respeito. Até que um dia, aliás, meu aniversário naquele ano, recebo uma mensagem que o pai de meu filho havia sido assassinado. No momento não senti nada, além do impasse sobre como eu daria a notícia ao meu filho. E ainda não sinto. (Detalhe: Ele foi esfaqueado pelo filho de uma mulher com quem ele morava junto, não era filho dele, de apenas 12 anos de idade.)

Naquele dia, e naquele mês seguinte, tudo foi muito difícil. Meu filho caiu em si sobre o fato de que nunca conheceria o pai nesta vida. Todas as questões que ele tinha para seu pai teriam que aguardar mais um pouco.

Nesses anos todos, precisei me reinventar como mãe muitas vezes. Quando nossos filhos são pequenos, sabemos todas as teorias de cór sobre como educá-los. Quando a pré-adolescência chega, já precisamos aprender a ser mais flexíveis e pacientes. Os anos da adolescência trazem alguns espinhos que deixam marcas indeléveis na alma e perfuram o coração das mães. Não adianta dizer, "Ah, não comigo! Meu filho é ótimo!". Com certeza eles sempre serão ótimos, mas é imaturidade negar ou esconder que a adolescência é o tempo real onde nos provamos como mães de verdade, parceiras de Deus na criação e educação de Seus filhos.

Para sobreviver a tantos percalços, precisei trabalhar muito minha autoestima. Ainda o faço e tenho milhas e milhas para chegar onde preciso. É como remar contra uma correnteza assassina. Às vezes estamos sob total controle, outras vezes não conseguimos sequer nos segurar no barco. Faz parte, e sei que as coisas ruins também passarão, e tudo será para nosso conhecimento.

Meu filho acabou de completar 18 anos e está se preparando para um tempo em sua vida que fará toda a diferença em seu futuro. Eu terei que apenas ajudá-lo com minha influência positiva e espiritual, mantendo uma distância bem grande já que ele irá para outro país a mais de 18 horas de distância, orando todos os dias para que ele se lembre de cada momento que vivemos juntos, e saiba aplicar em sua vida as boas escolhas que tanto entramos noite adentro conversando, ou em nossas longas viagens sozinhos pelas estradas mundo afora, em nossas conversas deitados sob as estrelas...

Com seus 18 anos, estou precisando me reinventar novamente, afinal, ele é um homem e faz suas próprias escolhas, tomando suas próprias decisões. E eu, preciso continuar focando no meu casamento e sendo a mãe amiga e dar-lhe o apoio necessário.

Tem sido extremamente difícil para mim empurrá-lo do topo do ninho para que aprenda a voar. Não porque ele não queira voar, mas porque eu preciso derrubar os muros que construí em volta tentando protegê-lo.

O mais interessante é notar que ele já sabia como voar. Todas aquelas vezes que o ensinei desde pequenino a escolher, sendo responsável pelas consequências, porque eu necessitava que ele me ajudasse e fosse independente proporcionalmente à idade que tinha para que eu pudesse trazer nosso sustento. Todas as vezes que ele mesmo saiu para trabalhar, desde os 13 anos, e aprendeu humildemente a aperfeiçoar-se como pessoa. Ele tem voado e voltado ao ninho, pelo menos por enquanto, para me abraçar e beijar e conversar como mãe e filho, como um homem feito.

Coração de mãe é algo complexo demais. Cabe todas as memórias vividas com os filhos, transborda de amor mesmo que ferido, mas sobrevive a tudo, mesmo que aos prantos e dores.

A todas as mães que criam seus filhos sozinhas, acreditem: Vocês NÃO estão sozinhas.

Seu passado não tem o poder de moldar seu futuro. Só você mesma tem.

Mas você não pode, e nem precisa, fazê-lo sozinha.

Leia também: Redescobrindo o amor do Senhor quando nos sentimos abandonados e sozinhos

Vejam bem que minha vida não tem sido fácil. Mas isso tudo ainda não me impede de sorrir, e ser otimista em relação ao futuro. Eu continuo acreditando, e sempre acreditarei, que temos o poder de mudar nossa vida, através de boas escolhas e sendo responsável por outras que fizemos antes, transformando desafios em bênçãos, pedras em diamantes. Mesmo através das dificuldades, somos abençoados com o que precisamos, e nosso Pai jamais nos abandona.

Afinal, eu aprendi...

"E se fores lançado na cova ou nas mãos de assassinos e receberes sentença de morte; se fores lançado no abismo: se vagas encapeladas conspirarem contra ti; se ventos furiosos se tornarem teus inimigos; se os céus se cobrirem de escuridão e todos os elementos se unirem para obstruir o caminho; e, acima de tudo, se as próprias mandíbulas do inferno escancararem a boca para tragar-te, sabe, meu filho, que todas essas coisas te servirão de experiência e serão para o teu bem.

O Filho do Homem desceu abaixo de todas elas. És tu maior do que ele?"

Eu não fui e não sou uma mãe perfeita. E o pior, meu filho sabe bem disso, rsrsrs. Mas, com a ajuda de um Pai Celestial amoroso, e meu Salvador Jesus Cristo que já sofreu para que eu não sofresse, tudo é possível e nós como mulheres e mães podemos fazer a diferença.

Podemos criar homens verdadeiramente à Sua semelhança.


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