As Inteligências, Filhos Espirituais e o Privilégio de Ser UM com Deus

Updated: Mar 26, 2019



Os santos dos últimos dias veem todas as pessoas como filhas de Deus em um sentido pleno e completo; consideram que cada pessoa é divina em origem, natureza e potencial. Cada uma tem um núcleo eterno e é “um filho (ou filha) gerado (…) por pais celestiais que o amam.” (“A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, novembro de 2010, última contracapa.)

Cada uma possui sementes da divindade e deve escolher viver em harmonia ou oposição a essa divindade. Por meio da Expiação de Jesus Cristo, todas as pessoas podem “progredir rumo à perfeição e terminando por alcançar seu destino divino”.(A Família: Proclamação ao Mundo). Assim como uma criança pode desenvolver os atributos de seus pais, ao longo do tempo, a natureza divina que os homens herdam pode ser desenvolvida para torná-los como seu Pai Celestial.

Joseph Smith ensinou que:

“O desejo de nutrir a divindade de Seus filhos é um dos atributos de Deus que mais inspira, motiva e torna humildes os membros da Igreja. A paternidade e a orientação amorosas de Deus podem ajudar cada filho disposto e obediente de Deus a receber de Sua plenitude e glória. Esse conhecimento transforma a maneira como os santos dos últimos dias veem seus semelhantes. O ensinamento de que homens e mulheres têm o potencial de ser exaltados a um estado de divindade, claramente ultrapassa o que é compreendido pela maioria das igrejas cristãs contemporâneas e expressa para os santos dos últimos dias um anseio enraizado na Bíblia de viver como Deus vive, de amar como Ele ama, e preparar-se para tudo o que nosso amoroso Pai Celestial deseja para Seus filhos.

Se os homens não viverem em harmonia com a bondade de Deus, eles não poderão progredir para a glória de Deus. Joseph Smith ensinou que “os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão”. Quando os homens abandonam os propósitos e os padrões altruístas de Deus, “os céus se afastam [e] o Espírito do senhor se magoa”. (D&C 121:36-17) O orgulho é incompatível com o progresso; desunião é impossível entre seres exaltados.”

Inteligências, Inteligência e Espírito, Corpo Físico, e Ressurreto

Segundo o Guia para Estudo das Escrituras, a palavra inteligência tem diversos significados, três dos quais são:

(1) É a luz da verdade que dá vida e luz a todas as coisas no universo. Ela sempre existiu. (2) O termo inteligências também pode referir-se aos filhos espirituais de Deus. (3) As escrituras podem também falar de inteligência referindo-se ao elemento espiritual que existia antes de sermos gerados como filhos espirituais.

Algumas escrituras: • A inteligência apega-se à inteligência, D&C 88:40. • A inteligência não foi criada nem feita, D&C 93:29. • Na esfera em que Deus a colocou, toda inteligência é independente, D&C 93:30. • A glória de Deus é inteligência, D&C 93:36–37. • A inteligência adquirida nesta vida surgirá conosco na ressurreição, D&C 130:18–19. • O Senhor reina sobre todas as inteligências, Abr. 3:21. • O Senhor mostrou a Abraão as inteligências que foram organizadas antes de o mundo existir, Abr. 3:22.

Lemos em D&C 93:29, que a "inteligência não foi criada nem feita", ou no sermão de King Follett, Joseph Smith também cita a palavra inteligência no singular, e não está claro nessa passagem se se refere a identidade individual e consciente. Já Abraão se referiu à prole espiritual de Deus como inteligência organizada, aparentemente usando a palavra "inteligências" para significar "espíritos".

As autoridades da igreja indicaram que o nascimento espiritual não era o começo. Spencer W. Kimball disse que nossa questão de espírito era eterna e coexistente com Deus, mas foi organizada em corpos espirituais por nosso Pai Celestial (vide O Milagre do Perdão). Marion G. Romney, da Primeira Presidência, falando sobre a origem divina do povo como filhos de Deus, afirmou: "Através desse processo de nascimento, a inteligência auto-existente foi organizada em seres espirituais individuais." Bruce R. McConkie, um apóstolo, escreveu que Abraão usou o nome de inteligências para descrever os filhos espirituais do Pai Eterno.

Diferentes as colocações, a semelhança consiste em que o elemento de inteligência ou espírito tornou-se inteligência depois que os espíritos nasceram como entidades individuais. Esta definição designa tanto o elemento primitivo do qual a criatura espiritual foi criada como também sua capacidade herdada de crescer na graça, no conhecimento, no poder e na própria inteligência, até que tais inteligências, ganhando a plenitude de todas as coisas, se tornem como seu Pai, Inteligência Suprema.

Coletivo x Individual

Quando lemos sobre a doutrina de Jesus Cristo, incluindo estudos, escrituras e revelações, a questão inteligência x inteligências x criação de nossos espíritos contêm informação de que estes foram criados/organizados tanto individualmente quanto coletivamente. A partir da premissa que o coletivo existiu antes do indivíduo, o propósito de Deus com a criação dos filhos espirituais é de que necessitassem da Expiação. Como citei acima, Abraão 3:22 refere-se tanto à organização coletiva quanto individual de inteligência, bem como alguns versos em D&C 51, 78 e 88. Quando Joseph ensinou sobre isso, ele se referiu aos 3 termos (inteligência, inteligências e espíritos) como coletivo, apenas apontando que a diferença entre eles estava justamente em quais fases de progresso se encontravam.

Os termos são relativos e o espírito do homem mortal considera o espírito pré-mortal como uma inteligência ou como um coletivo de inteligências, e os espíritos das pessoas imortais ressuscitadas consideram a mortalidade como um exercício de inteligência (individual e coletivo), não espírito. O Plano de Deus é um Plano de Ordem. É exatamente como escolher o batismo e se tornar membro da igreja, preparar-se e receber as ordenanças uma a uma, até o julgamento final – linha após linha, preceito após preceito, aprendendo um pouco aqui e ali, progredindo rumo à vida eterna. Ou seja, uma inteligência selvagem é recém-nascida como um filho espiritual de Deus. É quase uma questão de definições somente.

Tornarmo-nos UM com Deus e Seu Filho Jesus Cristo

Quando Seu ministério mortal estava chegando ao fim, sabendo que “era chegada a sua hora” (João 13:1), Jesus reuniu Seus Apóstolos num cenáculo em Jerusalém. Depois da ceia e após ter lavado os pés dos discípulos e ter-lhes ensinado, Jesus proferiu uma sublime oração intercessória em favor daqueles Apóstolos e de todos os que acreditassem Nele. Ele suplicou ao Pai, dizendo:

“E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade (…)” (João 17:20–23)

Elder D. Todd Christofferson ensinou:

“Podemos contar com Ele para ajudar a restaurar a unidade interior de nossa alma, se tivermos cedido ao pecado e destruído nossa paz. Pouco depois de Sua súplica intercessória para que nos tornássemos “perfeitos em unidade”, Jesus sofreu e deu a vida para expiar o pecado. O poder de Sua Expiação pode apagar os efeitos do pecado em nós. Se nos arrependermos, Sua graça expiatória nos justifica e purifica. (Ver 3 Néfi 27:16–20.) É como se não tivéssemos caído, como se não tivéssemos cedido à tentação.

À medida que nos esforçamos a cada dia e a cada semana para seguir o caminho de Cristo, nosso espírito ganha preeminência, a batalha interna cessa e as tentações deixam de incomodar-nos. Há cada vez mais harmonia entre a parte espiritual e a física, até que nosso corpo físico seja transformado, como disse Paulo, de “instrumentos de iniqüidade” para “instrumentos de justiça para Deus”. (Ver Romanos 6:13.)

Ao tornar-nos um internamente, estaremos preparando-nos para a bênção maior de tornar-nos um com Deus e Cristo.

Jesus alcançou a perfeita unidade com o Pai, submetendo-Se, tanto na carne quanto no espírito, à vontade do Pai. Seu ministério tinha um enfoque bem claro, porque Nele não havia duplicidade de mente para debilitá-Lo ou distraí-Lo. Referindo-Se a Seu Pai, Jesus disse: “Eu faço sempre o que lhe agrada”. (João 8:29)”

Então, o propósito e o chamado de eleição que almejamos, é tornarmo-nos um com Deus. Avançamos ao ser organizados como um com Deus como inteligências para um com Deus como espíritos, e só então para um com Deus como seres ressuscitados. Quanto mais olharmos para trás, mais percebemos que estávamos todos no mesmo barco, afinal, esta vida mortal é o tempo para fazermos escolhas e aprendermos a nos tornar UM com Deus.

A propósito, seremos exaltados somente se conseguirmos nos tornar um com nossos cônjuges, e ambos nos tornarmos um com nosso Senhor. O uso correto do arbítrio é justamente o que determina o quão distantes ou próximos estamos disso. (D&C 93:24).

Resumindo, o espírito de cada um de nós como indivíduo é criado quando, no nível que chegamos, reconhecemo-nos como uma parte distinta de um coletivo de outros indivíduos, o que só pode ocorrer quando essa unidade é organizada. O aspecto co-eterno disso é que nem o indivíduo nem o coletivo podem existir um sem o outro. E nenhum, indivíduo ou coletivo, pode progredir sem se tornar UM (ou uno) com Deus.

A melhor escritura sobre o assunto é a que consta na descrição deste grupo, D&C 88:40: "Pois a inteligência apega-se à inteligência; a sabedoria recebe a sabedoria; a verdade abraça a verdade; a virtude ama a virtude; a luz se apega à luz; a misericórdia se compadece da misericórdia e reclama o que é seu; a justiça segue seu curso e reclama o que é seu; o julgamento vai ante a face daquele que se assenta no trono e governa e executa todas as coisas."

E por isso, além de tantas outras maravilhas, Deus é completamente perfeito, um Pai Celestial amoroso. Os indivíduos e os coletivos nunca se esgotarão porque "tudo o que tem arbítrio" é apenas parte de muitas formas diferentes da mesma coisa eterna que forma a eternidade, o Criador e a Expiação: atributos (como a inteligência e o arbítrio) que nunca começaram e nunca terão fim.

Que bom que escolhemos fazer parte deste Plano de Amor.

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